terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Papéis amarelados

Não há mais rasuras em meu caderno, todavia sobram-lhe espaços. Já não tenho ânsia da escrita e aquela euforia mental já não me ocorre mais. Fechar os olhos e deixar que meus dedos guiem-se por letras é insuficiente para que se traduza o que sinto. Sendo assim, a ausência da escrita reflete minha falta de alegria, de tristeza, de entusiasmo, de fogo, paixão, invernos, guardas-chuva, brisa, lua, mar, orvalho, inclusive decepções. São estes os pequenos ingredientes que nos permitem criar coisas belas. Como um cozinheiro precisa de ingredientes para o prato principal, a vida também clama por coisas sutis, mas que dão todo um sabor para o viver.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Quando eu puder te encontrar

Não sei onde está agora. Não sei o que está fazendo e nem mesmo sei se ainda vive. Sei que o mesmo sol que brilha para mim brilha para você. O mesmo vento que uiva em minha janela, toca teu rosto. A mesma lua que se esconde atrás das nuvens para mim, esbanja luz na sua noite. E mesmo tão pertos, a cada dia nos distanciamos mais.
Escolhi viver contigo nas memórias de sorrisos, de conversas ao telefone, de noites infinitas sob uma árvore. Escolhi incinerar as más memórias e delas não guardo nada. As memórias boas, essas sim, reprisam-se em minha mente sem pausa, mas a cada dia fragmentam-se mais. Talvez isso sustente a esperança de um dia esbarrar com você numa rua qualquer. O tempo vai passar, como já tem passado demais.
E após todo esse tempo, não há um dia sequer que eu me segure para não te mandar outra carta, não há um dia sequer que eu prenda minha vontade de estar com você. Apesar de nossos corpos nunca terem se tocado, era impossível distinguir minha alma da sua. Minhas memórias pouco a pouco vão se esvair. Sei que chegará um dia que duvidarei do que de fato aconteceu. Mas até lá, eu sigo como um girassol. Da mesma forma que essa flor fica tonta ao seguir o sol, eu continuo em círculos a procurar-te.