sábado, 29 de novembro de 2014

138km e um gostar moderno.

Era noite onde ele estava. E o mesmo sol se pôs para ela. Não se viram. Não se sentiram. Não se cheiraram. Mas sabiam exatamente o gosto que cada um tinha. As palavras que saiam dos dedos dele beijavam as que saiam dos dedos dela. Cada foto que trocavam se transformavam em espirais de arte abstrata até que, tudo que restava aos olhos, eram os dois em um plano só. Em seus pensamentos dançavam como ventos que se encontram, como ying e yang, mas nesse caso se tratava de ying e ying, por tamanha afinidade. Mandavam abraços e beijos pela janela. E todos os dias dormiam de janelas abertas, esperando que tais afagos percorressem os 138 kilômetros e fossem de encontro a cada um dos dois. Apostavam corrida com o sol para dar bom dia um ao outro. O brilho daquela tela podia não ser tão forte como o sol, mas aquecia o coração da mesma forma. E conforme o coração aquecia, o gelo se quebrava, a distância diminuia, as duas noites se tornavam uma só, e os 138 km , agora eram 138 maneiras de se gostar. Ela ainda era ela. Ele era ele. Só que agora eram 138 vezes mais parecidos com um só.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Cinema Mudo

Sei que o tempo voa e que posso estar perdendo o meu ao te esperar. Mas vê, se eu fico em silêncio, é na tentativa de torcer o universo a ponto de fazer com que ele me coloque no seu caminho. E se você ficar em silêncio sei que pode ouvir um som, quase um sopro. É o som do meu coração batendo por ti. Um dia pode ser que você me diga para que eu vá até ti. Você saberá então o que fazer, e irá dizer todas as coisas que eu sempre quis ouvir. Direi que estarei contigo por onde estiver. E que continuarei a enxergar teu rosto, mas não ouvirei tua voz. Estarei nos teus dias, nas cores, nos sons, nas construções ao teu redor. Haverá sempre um lugar pra mim ali. Mas não aprendi a chegar em seu mundo e por isso não tenho certeza de que você é o que preciso. De tudo que já foi nosso, só restou um envelope que me admira ser tão leve, pela carga que carrega. Não recuperei a aflição em meu peito, mas conquistei a paz de espírito.