Foi por teus olhos que tentei entrar e conhecer teu mundo. A
braçadas mergulhei. E por mais que eu me esforçasse, tão perto fiquei da
superfície. O fato é que ali eu conseguia ver tanto de ti. Em pitadas
você me mostrava cada centímetro do teu passado, como se fosse um rolo
de imagens a passar num cinema antigo. E como uma diretora de primeira,
você fazia os cortes quando necessário, como se dissesse “assistimos
essa parte depois, vamos para a próxima”. Só me restava pegar um punhado
de pipoca e permanecer como espectador.
Troquei a pipoca por teus dedos, depois a mão inteira. Amarrei minha mão na tua achando que tantos anos sendo escoteiro finalmente me serviram de algo. Fiquei com medo dos nós desatarem e colei meus lábios nos teus. Colado assim, te vi de pertinho. Imaginei por vezes que você, de alguma forma, seria alguma aprendiz de um mago, pois vi com meus próprios olhos você transformar um deck em um enorme colchão, e o céu noturno numa pintura digna de ser exposta no museu. Também vi você fazer com que meu abraço desse 78 voltas em torno de ti e por alguns instantes eu virei sua casa. Apesar de não parecer seu quarto ficou em mim. E todas as lágrimas que um dia vc derrubou em meu peito regaram um jardim no meu coração. Não a princípio. No começo era uma enchente, mas se me lembro bem, depois da enchente o amor permanece e as ruas se tornam mais brilhantes. Me tornei cidade. E tua enchente fez minhas ruas brilharem. E essa é a parte que lhe digo que você marcou em mim. Te carrego comigo, mesmo que tu não saibas, fluindo em minhas ruas, regando meus jardins.
Troquei a pipoca por teus dedos, depois a mão inteira. Amarrei minha mão na tua achando que tantos anos sendo escoteiro finalmente me serviram de algo. Fiquei com medo dos nós desatarem e colei meus lábios nos teus. Colado assim, te vi de pertinho. Imaginei por vezes que você, de alguma forma, seria alguma aprendiz de um mago, pois vi com meus próprios olhos você transformar um deck em um enorme colchão, e o céu noturno numa pintura digna de ser exposta no museu. Também vi você fazer com que meu abraço desse 78 voltas em torno de ti e por alguns instantes eu virei sua casa. Apesar de não parecer seu quarto ficou em mim. E todas as lágrimas que um dia vc derrubou em meu peito regaram um jardim no meu coração. Não a princípio. No começo era uma enchente, mas se me lembro bem, depois da enchente o amor permanece e as ruas se tornam mais brilhantes. Me tornei cidade. E tua enchente fez minhas ruas brilharem. E essa é a parte que lhe digo que você marcou em mim. Te carrego comigo, mesmo que tu não saibas, fluindo em minhas ruas, regando meus jardins.