Sol. Sei por que minhas costas ardem. O mar agora insiste em brincar de pega-pega com meus pés. Ninguém aqui. Ninguém. Posso usar o graveto de caneta, e escrever o que quiser na areia sem a menor preocupação de que a maré ou uma criança desavisada ouse tomar meus escritos. Tudo é confidenciado a areia. Desse mundo sou criador e sinto que posso voar e logo lanço me no céu, nesse espelho de mar. Esfarelo nuvens. Apago estrelas, acendo cometas, rodo a lua.
De súbito perco as forças. Caio.
Algodão. Sei por que o sinto em meu corpo. Sei por que esfria em minha ausência. A coberta enrosca-se em minhas pernas, como se fossem tranças. Consigo me soltar. Não consigo me desapegar do sono, e aos poucos ele também sai de cena. E aqui, ninguém. A história já está escrita. As falas estão decoradas, só tenho de seguir o roteiro. Não posso voar. A gravidade pesa e abraça meus pés, mantendo-os sempre firmes no chão. Não tem nuvem. Não tem lua. Não tem estrela.
Sobram tique-taques do relógio.
Falta me tempo de sonhar.
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